Quanta água e energia elas gastam? Dá para confiar nelas? Todo mundo usa? Aqui, essas e outras respostas para dúvidas frequentes sobre tecnologia
Por Alvaro Leme
Publicado em 1 mar 2026, 10h24
UOL
Outro dia contei para um amigo que, de vez em quando, fico meio zonzo diante da quantidade de e-mails que recebo com novidades a respeito das inteligências artificiais.
Ele comentou que se até jornalistas que cobrem o assunto passam por isso, a sensação com certeza é generalizada. Daí decidi listar alguns tópicos que costumam despertar dúvidas, explicadas abaixo.
Sim, o assunto parece onipresente, e dependendo da sua bolha realmente tem muita gente que não vive sem IA. Mas, em termos mundiais, a adoção ainda tem muito a crescer: 6,8 bilhões de pessoas não usaram ChatGPT ou qualquer outro modelo generativo nos últimos seis meses de 2025. Ou seja, cerca de 83% da população mundial, segundo uma pesquisa da Microsoft.
A regra é: nunca conte para uma IA coisas que você não teria coragem de dizer em praça pública. Em muitas plataformas gratuitas (e algumas pagas), suas conversas podem alimentar versões futuras do sistema. Isso significa que dados sensíveis do seu trabalho, informações pessoais, estratégias confidenciais podem ir parar sabe Deus onde. E mesmo nas empresas mais gigantes sempre pode haver risco de vazamento.
O pesquisador Alex De Vries-Gao estima que entre treinamento, operação e manutenção a quantidade de água usada para os sistemas de IA em 2025 possa ter chegado a mais de 700 bilhões de litros – daria para encher a carioca Lagoa Rodrigo de Freitas mais de 120 vezes.
As big techs raramente divulgam dados oficiais de consumo, então sobra a instituições independentes estimar isso. Uma delas, chamada Epoch AI, calculou a quantidade de operações computacionais realizadas durante o treinamento do GPT-5, e a partir disso pesquisadores concluíram que foi preciso usar entre 30 e 70 GWh de energia. Se a gente aplicar à realidade nacional, dá para dizer que 30 GWh é o consumo anual de 14 mil casas brasileiras. Com 70GWh, seria a energia de 33,5 mil domicílios aqui no país.
Quando o novo papa foi escolhido, muita gente ficou chocada de alguns chatbots não saberem nem que o anterior tinha morrido. É normal, porque os grandes modelos de linguagem são treinados com dados até determinada data. Dali em diante, só conseguem responder sobre acontecimentos recentes as IAs que têm a capacidade de buscar na internet (que, justiça seja feita, é cada vez mais comum).
Um estudo europeu que testou assistentes de IA em perguntas sobre noticiário encontrou problemas relevantes em 45% das respostas, e falhas de precisão mais graves em 20%. No dia a dia, em geral o índice de erros costuma ser bem menor, mas nunca é inexistente. Chatbots inventam informações com muita convicção, então JAMAIS use nada entregue por eles sem fazer uma checagem detalhada.
Ela calcula probabilidades. Quando um chatbot responde sua pergunta, ele não absorve suas palavras como qualquer um de nós faria. O que os chatbots fazem é identificar padrões em quantidades absurdas de texto, daí calcular qual seria a sequência de palavras mais provável para aquela situação. Claro, essa operação matemática é numa escala até difícil de a gente conceber, mas é cálculo e não cognição. A rigor, IA não tem compreensão, muito menos intenção ou consciência (por enquanto, pelo menos.)
Existem várias modalidades de IA. A generativa é apenas a mais vistosa do pacote, mas algoritmos estavam nas nossas vidas desde bem antes do ChatGPT aparecer. Já tinha IA no filtro de spam do seu e-mail, nas recomendações da Netflix, no tradutor automático, no desbloqueio facial do celular… É que, quando a tecnologia funciona bem, a tendência é passar despercebida.
Modelos de inteligência artificial aprendem com dados produzidos por humanos. E, por serem “feitas à nossa imagem e semelhança”, acontece várias vezes de reproduzirem o pior de nós, inclusive preconceitos. Sistemas de reconhecimento facial erram muito mais com pessoas negras do que com pessoas brancas. Algoritmos de crédito podem discriminar bairros periféricos. Ferramentas de seleção de currículos já foram flagradas desfavorecendo mulheres.
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