Publicado em 02/06/2026
TNP
A proximidade da Copa do Mundo de 2026 já movimenta empresas dos mais diversos setores, que enxergam no maior evento esportivo do planeta uma oportunidade para ampliar vendas, fortalecer marcas e engajar consumidores. No entanto, especialistas em propriedade intelectual alertam que campanhas promocionais relacionadas ao torneio exigem cuidados jurídicos para evitar violações de direitos protegidos pela FIFA.
A competição será realizada entre junho e julho de 2026 nos Estados Unidos, Canadá e México, reunindo 48 seleções e um total de 104 partidas. Além do impacto esportivo, o torneio representa uma das maiores plataformas globais de marketing, publicidade e licenciamento.
Segundo as diretrizes oficiais da FIFA para a Copa do Mundo de 2026, a entidade detém direitos relacionados ao evento, incluindo propriedade intelectual, mídia, publicidade, licenciamento, ingressos e demais ativos comerciais vinculados à competição.
Embora empresas não patrocinadoras possam explorar temas relacionados ao futebol e à cultura esportiva, o uso de elementos oficiais da competição para fins comerciais é restrito e pode gerar consequências legais.
O que é protegido pela FIFA
Quando o assunto é propriedade intelectual na Copa do Mundo, a proteção não se limita apenas ao logotipo oficial do torneio. A FIFA possui um amplo conjunto de ativos protegidos que compõem sua propriedade intelectual oficial.
Entre os elementos protegidos estão o nome oficial da competição, logotipos, emblemas, slogans, marcas nominativas, a imagem do troféu, a identidade visual do torneio, símbolos das cidades-sede, tipografia oficial e outros identificadores utilizados na promoção do evento.
Na prática, isso significa que empresas devem agir com cautela ao utilizar qualquer elemento que possa ser associado diretamente à Copa do Mundo em campanhas publicitárias, embalagens, promoções, ações de marketing digital ou materiais institucionais.
No Brasil, a proteção das marcas está prevista na Lei da Propriedade Industrial (Lei nº 9.279/1996), que assegura ao titular da marca registrada o direito de uso exclusivo em todo o território nacional.
O risco das associações comerciais indevidas
O cuidado não está apenas na reprodução de logotipos ou símbolos oficiais. Uma campanha pode gerar problemas mesmo sem utilizar marcas registradas, caso induza o consumidor a acreditar que existe alguma relação oficial entre a empresa e o torneio.
Esse cenário está diretamente ligado ao chamado marketing de emboscada, prática que ocorre quando uma empresa tenta se beneficiar da visibilidade de um evento sem possuir autorização ou contrato de patrocínio.
Entre as situações que podem gerar questionamentos estão a utilização de marcas oficiais da FIFA em anúncios, promoções envolvendo ingressos sem autorização, uso comercial de hashtags oficiais, divulgação de calendários de jogos associados à marca da empresa e ações promocionais que sugiram vínculo com a competição.
A FIFA mantém monitoramento constante sobre o uso de seus ativos e adota medidas para impedir associações comerciais consideradas indevidas.
Falar sobre futebol continua permitido
Apesar das restrições, especialistas destacam que empresas podem desenvolver campanhas relacionadas ao universo do futebol sem infringir direitos da entidade.
Expressões genéricas ligadas à paixão pelo esporte, à torcida, à celebração dos jogos e ao clima de competição costumam ser permitidas, desde que não utilizem ativos oficiais protegidos nem criem a impressão de patrocínio ou parceria com a FIFA.
Campanhas focadas na experiência dos consumidores durante os jogos, encontros entre amigos, ações temáticas inspiradas na cultura esportiva e conteúdos educativos sobre futebol são exemplos de iniciativas que podem ser exploradas com menor risco jurídico.
O desafio está em construir uma identidade própria para a campanha, sem depender de elementos oficiais da Copa do Mundo.
Redes sociais exigem atenção redobrada
No ambiente digital, os riscos podem ser ainda maiores. O uso de hashtags oficiais em publicações comerciais, por exemplo, pode ser interpretado como tentativa de associação indevida ao evento.
Além disso, conteúdos patrocinados, promoções online e ações com influenciadores devem passar por análise prévia para evitar referências que possam gerar questionamentos sobre eventual vínculo com a FIFA.
Especialistas recomendam que equipes de marketing, publicidade e comunicação trabalhem em conjunto com profissionais jurídicos antes da divulgação de campanhas relacionadas ao período da Copa.
Licenciamento é alternativa para uso oficial
Empresas interessadas em utilizar marcas, símbolos e demais ativos oficiais da Copa do Mundo precisam buscar autorização por meio dos programas de licenciamento da FIFA.
Os contratos permitem o desenvolvimento de produtos oficiais, coleções temáticas e campanhas que explorem formalmente a identidade da competição, desde que respeitadas as regras estabelecidas pela entidade.
Para organizações que não pretendem investir em licenciamento, a orientação é apostar em campanhas criativas inspiradas no futebol e na experiência dos torcedores, mas sem utilizar elementos protegidos.
Consequências podem incluir ações judiciais
O uso indevido da propriedade intelectual relacionada à Copa do Mundo pode resultar em notificações extrajudiciais, remoção de conteúdos digitais, suspensão de campanhas publicitárias, apreensão de produtos e até ações judiciais com pedidos de indenização.
Além dos riscos financeiros, especialistas destacam possíveis impactos à reputação das empresas, especialmente em um ambiente digital onde infrações podem ganhar ampla repercussão.
Diante da expectativa de grande movimentação econômica durante a Copa do Mundo de 2026, o planejamento jurídico tende a se tornar um aliado estratégico para marcas que desejam aproveitar o momento sem comprometer a segurança de suas ações comerciais.
A recomendação é simples: celebrar o futebol é permitido; utilizar ativos oficiais da competição para promover negócios, sem autorização, pode trazer consequências que vão muito além do apito final.
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