Governança como pilar da ética corporativa

Ricardo Wagner de Araújo, da Petrobras, patrocinadora do 26º Congresso IBGC, destaca como governança e compliance fortalecem a cultura ética

Publicado em 01/10/2025 

Ricardo Wagner de Araújo

Bate-papo

IBGC

Em um ambiente de negócios cada vez mais complexo e regulado, a ética corporativa se torna um diferencial estratégico. Em bate-papo com o Blog IBGC, Ricardo Wagner de Araújo, diretor-executivo de Governança e Conformidade da Petrobras, aborda como governança e compliance fortalecem a cultura ética, os desafios de adaptação às exigências nacionais e internacionais e o papel da liderança e da tecnologia para garantir integridade e credibilidade em todos os níveis da organização.

BLOG IBGC: Como a governança corporativa pode fortalecer a cultura ética em empresas de grande porte?

Ricardo Wagner de Araújo: Entendemos que a governança corporativa cria o ambiente propício para que a ética e a integridade sejam promovidas e protegidas, criando valor sustentável para a empresa, seus acionistas e a sociedade como um todo.

Por meio da governança, criamos as bases estruturais e normativas que irão orientar comportamentos e tomada de decisões, permitindo que a ética seja considerada um valor intrínseco.

Nos últimos anos, a Petrobras reforçou significativamente sua estrutura de governança e compliance, de forma integralmente alinhada às orientações da alta administração. Prova disso é o fato de que, dentre os direcionadores estratégicos aprovados pelo conselho de administração, consta “Atuar com Integridade”, que reflete nossa ambição em ser referência em ética, integridade e transparência.

O fortalecimento da cultura ética também se materializa por meio de instrumentos como o Programa de Compliance e o Código de Conduta Ética, que tornam explícitos os valores esperados em todas as relações da companhia. Na Petrobras, a última revisão do Código de Conduta Ética foi decorrente de ampla consulta a toda força de trabalho, o que possibilitou maior engajamento e apropriação do documento e suas orientações.

Além de reforçar mecanismos internos de prevenção e combate a más práticas, entendemos que a Petrobras deve ajudar a impulsionar cadeia de fornecedores, estendendo a eles nossas práticas e valores. Práticas como due diligence de integridade e de direitos humanos, processos de contratação transparentes e a política de tolerância zero à fraude e à corrupção transformam princípios em comportamento organizacional, consolidando credibilidade e confiança junto ao mercado e à sociedade.

Quais são os principais desafios para manter programas de compliance efetivos e alinhados às exigências regulatórias nacionais e internacionais?

O principal desafio é manter a capacidade de monitoramento contínuo e agilidade de adaptação, tendo em vista a constante evolução do ambiente regulatório, incluindo legislações anticorrupção, leis ambientais, regras de mercado de capitais e, no caso da Petrobras, normas internacionais e outras aplicáveis às empresas estatais. Assim, buscamos responder a essa complexidade integrando o compliance à estratégia do negócio, de forma que seja percebido como valor e vantagem competitiva, garantindo o engajamento da liderança e da força de trabalho.

Além disso, investimos em tecnologia, transformamos nossos controles para serem cada vez mais automatizados e fortalecemos nossa estrutura de governança, garantindo monitoramento permanente, responsabilização clara e alinhamento com as melhores práticas globais.

Quais práticas você considera fundamentais para garantir que essa dimensão esteja presente em todos os níveis da organização?

Na minha visão, primeiramente, é essencial o exemplo da liderança, que orienta comportamentos e decisões. A liderança deve ser o modelo de integridade e promover um ambiente onde os valores corporativos sejam plenamente vividos e respeitados.

Também destaco a importância da existência de um código de conduta ética claro e acessível, o investimento em capacitação contínua e a existência de canais de escuta seguros e confidenciais.

Na Petrobras tivemos uma ótima experiência também com a criação dos agentes de integridade, empregados capacitados que atuam não só na esfera administrativa, mas também nas unidades operacionais. Esses mecanismos, aliados a uma governança madura — com uma Diretoria de Governança e Conformidade que em novembro deste ano completa onze anos — consolidam práticas que fazem da ética uma dimensão transversal e presente em toda a companhia.

A edição deste ano do Congresso IBGC traz como tema “Governança em um mundo disruptivo”. Na sua visão, como a tecnologia e as mudanças no ambiente de negócios impactam compliance e integridade?

As transformações tecnológicas e no ambiente de negócios trazem tanto riscos quanto oportunidades. Se, por um lado, a tecnologia amplia a complexidade, dando origem a novas vulnerabilidades, como riscos cibernéticos, uso indevido de dados e fraudes cada vez mais sofisticadas, por outro, é uma grande aliada. Ferramentas de analyticsmachine learning e automação permitem fortalecer monitoramentos, detectar anomalias em tempo real e dar maior eficiência aos programas de compliance.

Nesse contexto, a governança assume papel essencial como guia para equilibrar inovação com responsabilidade, usando a tecnologia de forma ética, transparente e inclusiva.

*Este texto foi produzido pela Petrobras, patrocinadora do 26° Congresso IBGC. Seu conteúdo é de responsabilidade dos autores e não reflete, necessariamente, a opinião do IBGC.

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