Por: Anhembi Morumbi | Campus Athon Sorocaba
Publicado em: 14/02/2025
Anhembi Morumbi
Que a Engenharia Civil é uma área na qual existem inúmeras oportunidades para aprendizado e desenvolvimento de carreira, você já deve saber.
Mas, uma coisa que talvez passe despercebida, é que a construção civil é uma das indústrias que mais consomem recursos naturais e geram resíduos.
Em um mundo onde as mudanças climáticas estão transformando a forma que todos vivem, adotar práticas sustentáveis se tornou indispensável.
E existem inúmeras maneiras de se fazer isso!
Seja optando por materiais sustentáveis ou então adotando práticas que minimizam o consumo de recursos naturais e o descarte correto de resíduos.
Há também benefícios econômicos, como acesso a financiamentos especiais e isenções fiscais, como o IPTU Verde, que oferece descontos para edificações sustentáveis.
Neste artigo explicamos como aplicar a sustentabilidade na construção civil e apresentamos 10 inovações que você pode adotar nos seus projetos.
Você deve estar se perguntando: em qual ponto uma construção se torna eco-friendly?
A sustentabilidade na engenharia civil começa muito antes da construção em si.
Portanto, desde a fase de planejamento, é possível adotar estratégias focando nesse aspecto.
Evitar construções em áreas de preservação ambiental, por exemplo, é essencial para proteger ecossistemas sensíveis, preservar a biodiversidade e garantir o equilíbrio climático.
Além disso, é recomendável optar por terrenos que já tenham sido impactados por atividades humanas.
Podemos citar também o uso de materiais recicláveis para diminuir a extração de recursos naturais, minimizar o desperdício e contribuir para a economia circular.
Optar por fornecedores próximos ao local da obra, ajuda a mitigar a emissão de CO₂ no transporte de materiais, além de agilizar a entrega e diminuir custos logísticos.
Sem falar que essa escolha também valoriza a economia local e torna a construção mais eficiente e sustentável.
Aplicar os 3Rs (reduzir, reutilizar e reciclar) durante o planejamento e construção, também reduz desperdícios ao diminuir o uso de materiais, reutilizando o que for possível e reciclando os resíduos.
Estes são apenas alguns exemplos, e como deu pra ver, tudo se trata de planejar e analisar o efeito ambiental que essa construção terá, focando em diminuir os danos o máximo possível.
Além das práticas adotadas durante o processo de construção em si, está cada vez mais em alta – e sendo necessário – adotar soluções para o uso das construções no dia a dia.
Unindo novas tecnologias – ou não necessariamente – há inúmeras soluções que podem ser adotadas nos projetos de casas e escritórios. Confira:
Os Green Buildings, ou edifícios sustentáveis, são construções planejadas para minimizar implicações ambientais, otimizar o uso de recursos naturais e promover eficiência energética.
Esse tipo de edificação utiliza tecnologias e materiais ecologicamente responsáveis, garantindo maior economia de energia e água.
Para assegurar que um empreendimento atenda a padrões rigorosos de sustentabilidade, certificações como o LEED (Leadership in Energy and Environmental Design) e o GBC Condomínio são amplamente adotadas.
Essas certificações irão avaliar critérios como desempenho energético, gestão de resíduos, qualidade do ar interno e uso consciente da água,
Essas construções acabam tornando-se um diferencial competitivo no mercado imobiliário, já que contam com desconto no IPTU, por exemplo.
Além de enxugar reflexos ambientais, os Green Buildings agregam valor às propriedades, atraem investidores e incentivam práticas mais responsáveis na construção civil.
Os painéis solares fotovoltaicos são uma das soluções mais eficazes para tornar edificações mais sustentáveis.
Os painéis convertem a luz do sol em eletricidade limpa e renovável, coisa que o nosso Brasil tem para dar e vender!
Essa tecnologia proporciona diversos benefícios ambientais e econômicos.
Um dos principais atrativos dos painéis solares para quem mora ou tem um negócio com essa solução, é a redução significativa da conta de energia.
Os painéis permitem que edificações gerem sua própria eletricidade e diminuam os custos a longo prazo.
Essa solução reduz também a dependência de fontes como os combustíveis fósseis, tendo resultado direto na diminuição da emissão de gases poluentes.
Uma outra vantagem dos painéis solares é a possibilidade de integração com redes inteligentes de distribuição de energia.
Os sistemas fotovoltaicos podem ser conectados a smart grids, otimizando o gerenciamento do consumo e permitindo até mesmo a comercialização do excedente gerado.
Embora seja mais comum em regiões com ventos constantes, a energia eólica também pode ser utilizada em empreendimentos urbanos como uma fonte complementar.
Com o avanço da tecnologia, pequenos geradores eólicos vêm se tornando uma alternativa viável para prédios comerciais e residenciais.
Essa prática está contribuindo para a diversificação da matriz energética e para a redução da dependência de fontes não renováveis.
Esses sistemas são projetados para capturar a energia dos ventos em áreas urbanas, onde o espaço é mais limitado, e podem ser instalados em telhados ou fachadas de edifícios.
Combinados com outras fontes sustentáveis, como os painéis solares fotovoltaicos, os aerogeradores permitem um fornecimento com mais desempenho e equilíbrio de energia renovável.
Além da economia na conta de luz, a energia eólica em ambientes urbanos reduz a pegada de carbono das edificações e torna-os preparados para os desafios energéticos do futuro.
Os telhados verdes são uma solução sustentável que traz benefícios tanto ambientais quanto econômicos para edificações.
Ao incorporar vegetação sobre as construções, eles ajudam a controlar a temperatura interna dos edifícios, minimizando o uso de ar-condicionado e, claro, o consumo de energia elétrica.
Além disso, esses sistemas captam e retém a água da chuva, que pode ser reutilizada para irrigação ou outros fins não potáveis, facilitando o uso eficiente dos recursos hídricos.
Outro resultado positivo dos telhados verdes é a melhoria da qualidade do ar urbano, pois a vegetação ajuda a filtrar poluentes e aumentar a umidade relativa do ambiente.
Em áreas densamente urbanizadas, os telhados verdes também criam espaços de convivência e lazer, tornando as cidades mais agradáveis e equilibradas.
A instalação de sistemas de captação de água pluvial é uma solução eficiente e sustentável para diminuir o consumo de água potável em edificações.
Essa prática permite o aproveitamento da água da chuva para diversos fins não potáveis, como a irrigação de jardins e a limpeza e abastecimento de descargas em banheiros.
Além de gerar economia na conta de água, esses sistemas ajudam a minimizar a sobrecarga das redes de drenagem urbana, reduzindo o risco de alagamentos.
Já viu aqueles empreendimentos incríveis que adaptam a luz natural aos cômodos?
Este aproveitamento é uma estratégia essencial para reduzir a dependência de luzes artificiais.
Isso vai reduzir o consumo de energia e criar ambientes aconchegantes sem muito esforço, sem contar que são estéticamente agradáveis e contribuem com o relaxamento.
Para potencializar a entrada de luz sem comprometer o conforto térmico, muitas soluções arquitetônicas podem ser adotadas.
O uso de brises e elementos de sombreamento ajuda a controlar a incidência direta do sol, evitando o superaquecimento dos espaços internos.
Clarabóias também são alternativas eficientes para distribuir a iluminação natural de maneira equilibrada, especialmente em ambientes internos com pouca exposição a janelas.
E por último, as fachadas envidraçadas: elas permitem uma maior entrada de luz, contando que utilizem vidros eficientes que minimizem o calor, afinal queremos evitar a demanda por ar condicionado.
Os materiais ecológicos são os queridinhos na hora de construir empreendimentos sustentáveis, pelo seu enorme potencial.
A madeira de reflorestamento, por exemplo, é uma alternativa sustentável por ser extraída de áreas certificadas, garantindo o manejo responsável das florestas.
Já os tijolos ecológicos, fabricados com menos consumo de energia e menos emissão de resíduos, também são uma opção viável para construções com menor influência ambiental.
Outro material sustentável é o cimento com adição de resíduos industriais, que reduz significativamente a emissão de CO₂ durante sua produção.
Já as tintas e vernizes ecológicos, livres de compostos orgânicos voláteis, evitam a liberação de substâncias tóxicas no ar.
A presença de áreas verdes na arquitetura traz benefícios tanto para o meio ambiente, quanto para o conforto das pessoas.
Deixando os espaços mais agradáveis, a vegetação ajuda a regular a temperatura, melhorar a qualidade do ar e incentivar a biodiversidade.
Quer um exemplo disso? Os jardins verticais!
O incrível Bosco Verticale, em Milão, na Itália, é uma grande referência real de uma construção sustentável impressionante!
Lá, duas torres residenciais com 80 e 112 metros de altura respectivamente, reúnem, no total, 113 apartamentos.
Estas residências são cobertas por mais de 900 árvores e milhares de plantas, que sem dúvida, fazem a sua parte no quesito responsabilidade ambiental.
E você acha que essa realidade é muito distante do Brasil?
Pense novamente, pois temos um case incrível pra te mostrar, no estado de São Paulo.
O Edifício Bioma, no bairro do Itaim-Bibi, combina arquitetura sustentável e biofilia, promovendo eficiência energética e integração com a natureza.
Essa magnífica construção foi desenvolvida pela Nortis, e busca um legado estético e ambiental para a cidade.
Com consultoria do CTE, o edifício visa a certificação GBC Brasil Condomínio, inspirada no LEED, que já falamos aqui anteriormente.
Sua fachada otimiza a luz natural, reduz o consumo de ar-condicionado e inclui brises de madeira e floreiras nativas, reforçando a biodiversidade.
Assim como no Bioma, os jardins verticais nas construções atuam como filtros naturais, seja na parte exterior ou interior, eles controlam a poluição e mantêm o ambiente mais fresco.
Uma outra vantagem é que também ajudam a equilibrar a umidade do ar, muito responsável pela saúde do nosso sistema respiratório.
Muito além de somente sustentabilidade, a arquitetura regenerativa não apenas minimiza a influência no meio ambiente, mas também busca restaurar e revitalizar ecossistemas.
Interagindo positivamente com o meio ambiente, a arquitetura regenerativa ajuda a recuperar recursos naturais em vez de somente consumi-los como em outros projetos.
Mas, como?
Prédios que devolvem água limpa ao solo, sistemas que geram mais energia do que utilizam e materiais capazes de absorver CO₂ da atmosfera são alguns dos exemplos.
Além disso, a regeneração do solo e da biodiversidade é uma preocupação central neste tipo de conceito.
Isso leva ao uso de técnicas como telhados verdes, replantio de vegetação nativa e outras soluções que favorecem a fauna local, beneficiando o planeta e as pessoas.
A construção modular tem ganhado espaço por permitir a fabricação de peças pré-moldadas em fábricas, o que torna o processo mais rápido e sustentável.
Já que tudo é produzido em um ambiente controlado, há menos desperdício de material e menos consequências no canteiro de obras.
A montagem no local acontece de forma mais ágil, o que consequentemente acaba reduzindo prazos e custos.
Já a impressão 3D na construção abre um mundo de diferentes possibilidades.
Com essa tecnologia, é possível criar estruturas com formatos inovadores, usar materiais alternativos e otimizar o consumo de recursos.
Isso significa menos desperdício, além de permitir soluções personalizadas para diferentes tipos de projetos.
Ambas as abordagens mostram como a inovação pode transformar a forma como construímos, tornando tudo mais sustentável, rápido e acessível.
O setor da construção civil está em constante evolução para acompanhar essas demandas.
Cada vez mais, surgem soluções inovadoras que ajudam a limitar impactos ambientais e otimizar recursos.
Um exemplo disso são as cidades inteligentes e a inteligência artificial (que também está ganhando espaço até mesmo na construção).
Ela pode ajudar no planejamento de obras, na redução de desperdícios e até na automação de processos, tornando tudo mais ágil e preciso.
Além disso, novos materiais biodegradáveis estão surgindo como alternativas sustentáveis aos tradicionais, oferecendo opções que reduzem resíduos e têm menor dano ambiental.
A sustentabilidade na construção civil anda a passos lentos, mas precisos.
Por isso, é necessário ficar ligado nessas inovações para não ficar para trás.
A sustentabilidade é o futuro, e trabalhar para permitir edificações mais eficientes, econômicas e que respeitam o ambiente, também é a responsabilidade dos Engenheiros Civis para com o planeta.
Além de contribuírem para um planeta mais saudável, estas soluções garantem benefícios econômicos para construtoras e proprietários.
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